ZONA DE RISCO: O FILME

DIREÇÃO: NANCI DE FREITAS
Lançamento DVD Zona de Risco.jpg

O filme apresenta a experiência cênica Zona de Risco, feito a partir de gravações do espetáculo, ocorrido em junho de 2019, no teatro Noel Rosa da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

 

A proposta do espetáculo Zona de Risco surgiu da necessidade de abordar a questão da violência, fenômeno urbano que se configura como uma espécie de estado de guerra que perpassa nossa realidade, ao qual aprendemos a olhar de modo distanciado, a não ser quando suas asas sobrevoam, tragicamente, nossa existência.

Para assistir ao Zona de Risco: O Filme clique aqui ou no flyer ao lado. Para saber mais sobre o espetáculo, clique aqui.

 
FICHA TÉCNICA
Direção

Nanci de Freitas

Elenco

Jéssica Orem

Fabricio Gabriel

Pedro Carneiro

Rodrigo Claro

Criação e Edição da Trilha Sonora

Arthur Batista Cordeiro

Montagem e Edição

Arthur Batista Cordeiro

Fabricio Gabriel

Arte do Cartaz de
Lançamento do DVD

Arthur Batista Cordeiro

Foto do Cartaz de

Lançamento do DVD

Joana Balabran

Produção

Mirateatro! Espaço de

Estudos e Criação Cênica

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MONTANDO UM TEXTO SOBRE UMA
EXPERIÊNCIA DE MONTAGEM
TEXTO DE Arthur Batista Cordeiro  |  2010
Arthur Cordeiro.jpg

Arthur Cordeiro é Graduado em Artes Visuais (licenciatura) pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ/2009) e Especializado em Ensino de Artes Visuais pelo Colégio Pedro II (2016). É professor de Artes no município do Rio de Janeiro, ilustrador de histórias em quadrinhos e montador cinematográfico de filmes e vídeos (para cinema, tv e internet).

Num encontro descontraído em um restaurante na zona sul do Rio de Janeiro, nós conversávamos sobre cinema e sobre as novas tecnologias. Antes de mais nada, eu preciso dar algumas informações ao leitor. Uma delas é que, na roda, há três profissionais que atuam no ramo de cinema há décadas e somente eu não estou nesse ramo há mais de dois anos. Estávamos no horário de almoço, num curto intervalo para retomar o trabalho de montagem do filme, quando a conversa tomou esse rumo.

Meu papel na produtora desse filme é muito peculiar. Acontece que os profissionais de cinema ainda não se habituaram à linguagem da informática e, hoje, a montagem cinematográfica se dá em softwares que exigem um mínimo de conhecimento. Na conversa, a discussão se dava entorno dessa linguagem que tanto dificultava a vida deles. Eles tentavam me explicar como era muito mais fácil antes, quando se tinha a película, a moviola, os banhos químicos... eu não acreditei (e permaneço sem acreditar). A grande questão não é facilidade ou dificuldade, mas aprendizado de linguagem. A “palpabilidade” de muitos utensílios foi trocada pela sua “virtualidade”. O que antes se fazia hoje se programa um computador que irá fazer e, como uma questão de fé, você nem mesmo o vê fazer. Apenas acredita que ele o fará. E, o deus do novo mundo, não falha, ele o faz (só ressaltando a metáfora: o deus do novo mundo por MUITAS vezes se recusa a atender a prece, exigindo do crente a oferta da paciência).

Um dos profissionais, da antiga – se me permitem - ressaltou um argumento frente a essa nova linguagem. Ele nos disse que a cada dia que passa os inventores das novas tecnologias vem se tornando mais e mais jovens. Basta olhar a história recente da informática: Bill Gates, Steve Jobs à Marck Zuckberg; cada vez mais jovens (isso porque não sou exímio conhecedor da história da informática, e apenas suscitei ícones pops para exemplificar). Continuou nos dizendo que isso deixa a comunicação humana cada vez mais distante, pois os jovens não conseguiam mais expressar seus sentimentos com essa linguagem. O grande problema é que hoje mais se encontra jovens que manipulam os computadores, os softwares, os celulares e as câmeras como verdadeiros artífices, e, raro, era encontrar algum artista.

Ora, ele não deixa de estar errado. Um programa de edição não é fácil de ser compreendido, mas não é impossível a qualquer pessoa. Vejamos por exemplo, um padrão Windows como o Adobe Premiere. Ele tem uma área de trabalho como esta abaixo:Um dos profissionais, da antiga – se me permitem - ressaltou um argumento frente a essa nova linguagem. Ele nos disse que a cada dia que passa os inventores das novas tecnologias vem se tornando mais e mais jovens. Basta olhar a história recente da informática: Bill Gates, Steve Jobs à Marck Zuckberg; cada vez mais jovens (isso porque não sou exímio conhecedor da história da informática, e apenas suscitei ícones pops para exemplificar). Continuou nos dizendo que isso deixa a comunicação humana cada vez mais distante, pois os jovens não conseguiam mais expressar seus sentimentos com essa linguagem. O grande problema é que hoje mais se encontra jovens que manipulam os computadores, os softwares, os celulares e as câmeras como verdadeiros artífices, e, raro, era encontrar algum artista.

Ora, ele não deixa de estar errado. Um programa de edição não é fácil de ser compreendido, mas não é impossível a qualquer pessoa. Vejamos por exemplo, um padrão Windows como o Adobe Premiere. Ele tem uma área de trabalho como esta abaixo:

Zona de Risco: O Filme

Como estamos no Windows, basicamente você clica no ícone para se abrir o programa, ignora todas as descrições e clica em OK (sempre) que o programa deve abrir uma tela como esta (similar a TODOS os outros programas de edição: Final Cut, Vegas, Avid, Vídeo Spin e outros...). Enfim, aperte “crtl + i” e selecione o vídeo desejado. O mesmo aparecerá em “A” (na imagem acima). Arraste o arquivo de “A” para “B” (“B” é nossa linha do tempo”). Por sua vez, o arquivo arrastado de “A” para “B” poderá ser visualizado em “C”. Os controles de “C” são iguais ao de um vídeo cassete, DVD ou blu-ray , contendo nos atalhos do teclado um play (aperte “K”), rew (aperte o “J”) e um fast foward (aperte “L”). Em “D” (imagem) temos a ferramenta corte , que adivinhem, corta, e a ferramenta selecionar . O que você tem que fazer é clicar na ferramenta “corte”, ir até o ponto do arquivo em “B” que você quer cortar e clicar. Feito isso, vá na ferramenta “seleção” e selecione outro momento em “B”, corte. A partir daí é um trabalho de apertar o “delete”, crtl + c, crtl + v e pronto. Agora que você já sabe montar, é só fazer um vídeo e correr atrás de prêmios e reconhecimento. Mas parece que não é tão simples assim.

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Percebam que antes do verbo “fazer” existe “montar” e essa é a grande dificuldade da nossa geração: montar. Afinal, saber manipular softwares é como ter uma Montblanc, não basta ter essa caneta para escrever um Best-Seller. A pergunta crucial aqui é: o que é montar? Segundo o Houaiss, montagem é: “Ato, efeito ou processo de montar. 1. Junção das peças ou partes de quaisquer maquinismo ou dispositivos (complexos ou simples) 2. CINE Processo pelo qual, após o término das filmagens, o montador seleciona as cenas unindo as em sequencias a qual formará o filme. (...)”.

A descrição continua atravessando significados não só do cinema, tal como das artes plásticas, teatro, música e literatura. Ou seja, hoje, praticamente “montar” está presente em tudo: utensílios domésticos, brinquedos lego, um texto - ou vocês realmente acham que a conversa num restaurante da Zona Sul realmente existiu? Montar inclui selecionar o que é bom e o que é ruim, ou melhor, o que serve e o que não serve e o utilizar. 

Porém, de tudo o que o cinema faz (roteiro, fotografia, encenação) a sua especificidade está guardada na arte de montar. Livros famosos que abordam esse tema como os de Karel Reisz, Murch ou de Dancynger nos mostram que o ato de montar um filme acontece desde sua escrita na forma de roteiro até a ilha de edição. Embora não nos explicam precisamente “o que é montagem”, então, não satisfazendo a nossa dúvida, todos montam (textualmente) de uma mesma forma a qual pretendo explorar. Eles explicam a montagem através de exemplos de filmes (quadro a quadro), filmes os quais, por vezes, eles trabalharam neles. Então, farei da mesma forma.

Em outubro de 2009, fui convidado pela diretora Nanci de Freitas a fazer parte de seu projeto teatral Mirateatro, que acontece na UERJ há anos. Minha função seria a de ajudá-la com as técnicas de vídeo, tendo liberdade criativa. Assim, em dezembro do mesmo ano, surgiu a idéia de montar um filme através das gravações da última peça teatral apresentada pelo grupo: Zona de Risco. Estávamos no Instituto de Artes da UERJ, eu, a diretora Nanci de Freitas e o ator Fabrício Gabriel, com a missão de juntar todo o material de vídeo, áudio, foto, depoimentos e fazer um filme. Antes de prosseguir o relato, duas informações são necessárias: 1- Nós três tínhamos trabalhado na peça teatral. Um (eu) fez o vídeo e a trilha da peça, outro (Fabrício) atuou e fez o vídeo e Nanci dirigiu. Logo, conhecíamos de cor e salteado o roteiro; 2- Todo o material - vídeo, foto ou áudio - era o mais diversificado possível, tendo sido gravado por pessoas diferentes, em momentos diferentes e com equipamento completamente diferente. Com isso, antes de começar o trabalho

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(antes mesmo de assistir todo o material bruto) decidimos tratar a parte fundamental do filme numa reunião. Discutimos a estética a ser seguida, aonde queríamos chegar com o produto e quanto tempo teríamos para finalizar. Ademais, começara a montagem. Reparem que nem mesmo apertei um botão sequer (como o play) para que a montagem, mesmo sem até presente momento tenha vos explicado o que o é, tenha começado.

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Como montador desse texto, prefiro excluir do relato o processo que compreendeu o um ano de “crtl + c, crtl + v” do material e discutir algo mais interessante. Enfim, em outubro de 2010 aconteceria, finalmente, o lançamento do tão trabalhado Zona de Risco – o filme. No cinema, após montar o filme se apresenta o produto a algumas pessoas e se rediscute o material, o remontando. Esse primeiro filme é chamado de “primeiro corte”, o que tínhamos em mãos era nada mais que o “quarto corte” do Zona de Risco. Nele, podemos contar...

(O RELATO CONTINUA...)

 
MESA REDONDA DO LANÇAMENTO DO
DVD ZONA DE RISCO: O FILME 
28 de setembro de 2010  |  Auditório do Instituto de Artes da UERJ

Registro do debate sobre o filme Zona de Risco: O Filme que foi organizado pelo elenco da experiência cênica (Jéssica Orem, Fabricio Gabriel, Pedro Crok, Rodrigo Claro), pela diretora Nanci de Freitas e com a participação de Gisele Sobral (Jornalista/Coordenadora de mídias digitais do Centro de Tecnologia Educacional – CTE/SR3/UERJ), Profª Drª. Denise Espírito Santo (Coordenadora do projeto Palco em Debate/ ART UERJ) e Prof. Dr. Jorge Luiz Cruz (Coordenador do Laboratório de Cinema e Vídeo – LCV/ART UERJ).

Fotos: Arquivo do Projeto