MIRATEATRO PROCESSOS

Cartaz: Mirateatro! Processos

Documentário sobre a trajetória do projeto de extensão Mirateatro! Espaço de Estudos e criação Cênica (2007-2021), a partir de arquivos de memória dos espetáculos e de entrevistas com estudantes e artistas que atuaram no projeto.

 

O Mirateatro é um projeto de pesquisa e experimentação em teatro contemporâneo, numa perspectiva ampliada da cena, em suas vertentes textuais, plásticas, audiovisuais e performativas. Conta com a participação de estudantes, professores, artistas e pesquisadores.

Para assistir ao documentário, clique aqui ou no folder do documentário acima.

Arte do Cartaz: Julia Esquerdo, a partir de foto de César Germano de Oliveira Costa (tirada durante o Making-off das gravações).

 
FICHA TÉCNICA
Direção

Nanci de Freitas

Pedro Henrique Borges

Roteiro

Nanci de Freitas

Fotografias

George Magaraia

Pedro Henrique Borges

Filmagem das Entrevistas

George Magaraia

Pedro Henrique Borges

Filmagens Externas

Jéssica Lima Formigoni 

Sonorização

Félix Milesi

Pedro Henrique Borges

Montagem e Edição de Imagens

Pedro Henrique Borges

Jéssica Lima Formigoni

Finalização de som e cor

Félix Milesi

Centro de Tecnologia Educacional – CTE/UERJ

 

Iluminação

César Germano de Oliveira Costa

Animação de Vinhetas

Jéssica Lima Formigoni

Decupagem de Imagens de Arquivo

César Germano de Oliveira Costa
Nanci de Freitas
Pedro Henrique Borges
Finalização de Som e Cor

Centro de Tecnologia Educacional

CTE PR3/UERJ

Assistentes de Produção

Eduarda Andrade

César Germano de Oliveira Costa

Jéssica Lima Formigoni

Direção de Produção

Nanci de Freitas

Redes Sociais

Julia Esquerdo

Realização

Mirateatro! Espaço de estudos e criação cênica

Entrevistados por Ordem de Aparição

Nanci de Freitas

Alexandre Sá

Maria Lúcia Galvão

Rodrigo Claro

Fabrício Gabriel

Elizeth Pinheiro

Pedro Carneiro

Natasha Saldanha

Antônio Jardim

César Germano 

Pedro Henrique Borges

Jéssica Formigoni

Eduarda Andrade

George Magaraia 

Mônica Bolsoni 

Lícia Gomes

Gleice Uchoa

Carol Moreira

Giovana Adoración

Apoio

ART UERJ

Centro de Tecnologia Educacional – CTE/PR3

COART/DECULT/PR3

DEPEXT/PR3

INOVUERJ/PR2

FAPERJ

Foto: Cesar Germano de Oliveira Costa
Foto: Cesar Germano de Oliveira Costa

press to zoom
Foto: Pedro Henrique Borges
Foto: Pedro Henrique Borges

press to zoom
Foto: Nanci de Freitas
Foto: Nanci de Freitas

press to zoom
Foto: Cesar Germano de Oliveira Costa
Foto: Cesar Germano de Oliveira Costa

press to zoom
1/5
Foto: Pedro Henrique Borges
Foto: Pedro Henrique Borges

press to zoom
Foto: Cesar Germano de Oliveira Costa
Foto: Cesar Germano de Oliveira Costa

press to zoom
Foto: Cesar Germano de Oliveira Costa
Foto: Cesar Germano de Oliveira Costa

press to zoom
Foto: Pedro Henrique Borges
Foto: Pedro Henrique Borges

press to zoom
1/3
 
O QUE É MIRATEATRO?
POR NANCI DE FREITAS

Nanci de Freitas é atriz, encenadora e Professora Associada do Instituto de Artes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ, atuando no Departamento de Linguagens Artísticas, nas disciplinas de Teatro e de Performance. Coordena o projeto de extensão Mirateatro! Espaço de estudos e criação cênica, desde 2007, e o Laboratório de Artes Cênicas – LabCena, desde 2012, onde realiza experiências artísticas. Desenvolve a pesquisa intitulada Cena contemporânea, corpo, imagem, performatividade, no Programa de Pós-graduação em Artes – PPGArtes, com estudos relacionados aos entrelaçamentos do teatro com as artes visuais, o vídeo e a performance.

 
TRAGETÓRIA NO MIRATEATRO
POR PEDRO HENRIQUE BORGES

Pedro Henrique Borges é artista visual multimídia, videomaker e pesquisador. É Bacharel em Artes Visuais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e Mestre em Artes pelo Programa de Pós-Graduação em Artes – PPGArtes UERJ (2021). Realizou parte de sua formação na Academia de Belas Artes em Praga, na República Tcheca (2009/2010), e na Indonésia, no Program of Chinese Indonesian Architecture of Petra Christian University of Surabaya (UKP) (2012/2013). No Mirateatro, foi bolsista de graduação por três anos, atuando como assistente de produção e criação de vídeos, e recebeu a bolsa de nível superior Treinamento e Capacitação Técnica – TCT/FAPERJ, de 2017 a 2019, dirigindo diversos vídeos junto da Profª Nanci de Freitas, incluindo o documentário Mirateatro! Prtocessos.

 
O MIRATEATRO NA GRADUAÇÃO
POR JÉSSICA FORMIGONI

Jessica Formigoni é artista visual e editora de vídeo. Graduou-se em Bacharelado em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da UERJ (2019) e estudou cinema na Escola Darcy Ribeiro (2021), no curso Montagem e Edição de Imagem e Som.  Na UERJ, integrou a equipe do Mirateatro, em 2018 e 2019, como bolsista de extensão, atuando na edição de vídeos, assistência de produção e programação visual. Criou a logomarca do Laboratório de Artes Cênicas e atualizou a logo do Mirateatro, criada anteriormente por Fabricio Gabriel. 

 
Relato sobre o Mirateatro e a Valsa nº 6
TEXTO DE Profª Maria Lúcia Galvão
1555444_718500068249058_7416354096338692727_n_edited.jpg

A Profª Maria Lúcia Galvão é professora de Dança no Departamento de Linguagens Artísticas, do Instituto de Artes da UERJ, desenvolvendo extensão e pesquisa no projeto Kinesis – Núcleo de Artes Cênicas, desde 1999. Foi Vice Diretora do Instituto de Artes, de 2004 a 2006, assumindo a direção em 2007. Foi Chefe da Divisão de Teatros da UERJ, de 2008 a 2017.

A UERJ, como uma grande referência de universidade pública, proporciona aos seus docentes, discentes e técnicos o espaço para a investigação e a troca acadêmica entre campos distintos de conhecimento e de atuação. Um exemplo de rica troca ocorreu em 2012, quando recebi o convite da professora Nanci de Freitas para participar como colaboradora de seu projeto de pesquisa e extensão, o Mirateatro.

Naquele momento, o Mirateatro propunha um mergulho no universo da obra de Nelson Rodrigues, tomando como base a peça teatral Valsa nº 6. A minha participação nesse processo estava diretamente ligada às três atrizes, em encontros centrados na pesquisa com o corpo, no trabalho de investigação do movimento, auxiliando-as na construção de Sônia, personagem central da narrativa que as três interpretavam na montagem. As vivências somáticas realizadas com as integrantes do grupo, Natasha Saldanha, Raquel Oliveira e Elizeth Pinheiro, durante alguns meses, visaram ampliar a consciência corporal, explorando os sentidos, a percepção do corpo no espaço, a potência do gesto e os afetos. Foi um trabalho estimulante e desafiador, com um resultado muito gratificante.

Na época, eu atuava como Chefe da Divisão de Teatros, ligada ao Departamento Cultural, promovendo as ações artístico-culturais nos espaços cênicos da UERJ. Com isso, além de colaborar na orientação de movimento da montagem, pude promover as apresentações da peça nos espaços físicos coordenados pela Divisão de Teatros: Teatro Noel Rosa e Teatro Odylo Costa, filho. O apoio técnico das equipes dos teatros da UERJ, dedicado às montagens das pesquisas artísticas, propicia uma qualidade superior aos espetáculos e tranquilidade para os coordenadores dos projetos, durante os ensaios e as apresentações. Com essa parceria institucional, os projetos de extensão podem contar, além da estrutura física dos espaços, com apoio dos profissionais da área cênica: maquinistas, operadores de luz e som, dentre outros, que hoje já compõem o quadro de profissionais da UERJ.

O Mirateatro é um projeto singular, desenvolvido em uma universidade pública que, embora possua três potentes teatros, ainda não conta com um curso de graduação ligado às artes da cena. Mesmo assim, há muitos anos as ações deste projeto vêm construindo, na UERJ, uma área de conhecimento antes inexistente, oferecendo aos alunos de graduação e pós-graduação do Instituto de Artes a possibilidade de pesquisa nesse campo epistemológico, proporcionando-lhes aprofundar e experimentar integrações com outras áreas do universo artístico. A experiência extensionista do Mirateatro, mais do que os resultados na forma de apresentações cênicas, propicia rica articulação por meio do tripé composto por ensino, pesquisa e extensão. É por meio dele que a instituição de ensino público define e reafirma a sua função para a sociedade. Dessa forma, iniciativas como a do Mirateatro vão além dos próprios projetos em si, pois projetam, por meio de suas ações, a existência, a resistência e, principalmente, a responsabilidade pela construção de uma área de conhecimento tão importante para o desenvolvimento acadêmico, científico e cultural.

Foto: Alba Ribeiro | Valsa Nº6

Foto: Alba Ribeiro

 
VIVENDO OS BASTIDORES DO TEATRO. EVOÉ!
TEXTO DE Sara Paulo

Entrei no projeto Mirateatro em 2012, como bolsista da área de produção, no período em que o espetáculo Valsa nº 6estava sendo apresentado em vários locais. Logo fui apresentada aos bastidores do teatro: acompanhamento de ensaios, organização de acervos e de figurinos, filmagem de eventos, criação de cartazes. Como a proposta do Mirateatro era ser um grupo colaborativo, eu participava também dos estudos de textos, personagens, concepções artísticas e produção das apresentações cênicas. Com a temporada da Valsa nº 6 encerrada, passamos por um período extremamente importante do Mira, de arrumação da casa: fomos contemplados com um edital da FAPERJ com recursos para a criação de um laboratório cênico e aquisição de equipamentos. Nesta fase, eu colaborei com a parte administrativa, organizando planilhas de compras e orçamentos de materiais.   


Enquanto isso, os atores - que também contribuíam com os trâmites da FAPERJ - absorviam outros roteiros, estudavam panoramas sobre teatro contemporâneo e realizavam exercícios físicos e vocais, dando corpo a essa que seria a nova fase do Mirateatro! Eis que Nanci de Freitas, coordenadora do projeto, chegou com um novo desafio: a encenação de O Marinheiro, de Fernando Pessoa, uma peça simbolista com uma reflexão filosófica sobre a vida. No processo de estudos e de montagem do espetáculo, passamos por várias fases: leitura em conjunto do texto, reflexões sobre os conteúdos abordados, pesquisas sobre ocultismo e tantos significados que essa obra carrega. Em paralelo, cada um dos integrantes estava se dedicando também ao curso de Artes Visuais, tendo oportunidade de decidir qual seria a linguagem artística e midiática que absorveria como sua contribuição para este novo processo de encenação. Não foi difícil para mim: escolho trabalhar com a fotografia.

12909509_975865509168952_967177342325423043_o_edited.jpg

Sara Paulo é graduada em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da UERJ (2014). Foi Bolsista de Extensão do Mirateatro, atuando como Assistente de Produção em 2012 e 2013. Atualmente, trabalha na área de Comunicação e Marketing Digital.

B DSC_0097.JPG

Foto: César Germano
de Oliveira Costa

Em todo esse processo de desbravamento de O Marinheiro, entendemos melhor as características de cada uma das personagens. Decidimos, então, fazer uma filmagem de vídeos que seriam exibidos durante o espetáculo, com referências às memórias das três mulheres da peça. Fui escolhida para fazer as filmagens das cenas e o desafio era traduzir as imagens de O Marinheiro para o formato audiovisual, uma espécie de encenação expandida. Escolhemos o Parque Lage, no Bairro Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, para ser o cenário dos vídeos, por ter paisagens que tinham relação com as três personagens: os montes, o campo e a água. Seu clima bucólico e cativante dava asas à imaginação. De forma bastante intuitiva e espontânea, caminhamos pelo Parque Lage e, a cada flor, ruína ou lago encontrado, nós nos lembrávamos de alguma parte do roteiro e das personagens. Fazíamos filmagens abstratas, conceituais: filmamos o que pensávamos que poderia refletir as memórias delas e que, de um ponto de vista mais técnico, ficaria bom na encenação. Em seguida, fomos para a praia do Arpoador, também na zona sul do Rio de Janeiro, para filmar as cenas no mar. Entramos de corpo e alma – literalmente - na água, e produzimos algumas das cenas mais lindas dos vídeos. 

 

Mais tarde, essas filmagens foram utilizadas na edição do filme O que queremos ser queremos sempre ter sido no passado, com roteiro e direção de Nanci de Freitas e Pedro Henrique Borges. Ter as imagens que eu capturei usadas no filme foi para mim uma grande honra. 

 

Logo depois dessa experiência, eu precisei me afastar do projeto e da produção do espetáculo por motivos profissionais. Foi com muita alegria que assisti a O Marinheiro, no Laboratório de Artes Cênicas da UERJ, e depois no Teatro Glauce Rocha, na Av. Rio Branco.
Participar do Mirateatro foi uma experiência de grande mudança na minha vida. Foi lá que descobri minha inclinação para os bastidores e para a produção. Sou eternamente grata a essa oportunidade. Viva o Mirateatro! Evoé!